Tenho andado meio perdida deste que acabei o secundário, confrontada com a dúvida o que fazer agora? Na verdade, eu sabia bem o que fazer, mas fizeram-me acreditar que seguir o outro caminho seria melhor para mim, porque estou na idade disso, porque tenho a vida toda para trabalhar, porque mais tarde não ia querer voltar a estudar...
Tudo bem, eu convenci-me disso. Candidatei-me e, com uma facilidade que não esperava, fiz os exames e entrei na minha primeira opção e na primeira fase de um curso que, se dependesse apenas de mim, estaria na 2ª ou 3ª opção.
Fui procurando motivações, trabalhei para acarretar com as despesas, esforcei-me para ter notas razoáveis, participei nas actividades que estavam ao meu alcance... no fundo penso que fiz o que podia para realmente ter prazer em estar a tirar este curso mas, agora que o ano lectivo está a acabar, começo a fazer uma retrospecção e fico à conclusão que a ideia inicial ainda permanece e que nada foi suficiente para me demover dela.
As últimas semanas não têm sido fáceis noutro aspecto da minha vida e, além de outras implicações, fizeram com que os meus objectivos se tornassem mais consistentes: tenho ainda mais certezas do que quero e começo agora a antecipar o percurso alternativo que poderei seguir para os concretizar. Mas esse percurso, apesar de real, provavelmente parecerá precipitado para a maioria das pessoas que me conhece porque, neste momento, a minha prioridade deveria ser o curso. Eu não vejo as coisas da mesma forma e quero começar agora a preparar-me para concretizar o que quero estar a viver daqui a cerca de 2 ou 3 anos: quero sair de casa, viver por minha conta, ter um emprego e não um trabalho, quero fazer alguma coisa da vida que não seja tirar uma licenciatura que "não me aquece nem me arrefece". De forma a não ser tão radical na minha decisão, posso optar pelo meio termo, que é conjugar ambas as coisas, mas não sei até que ponto isso não significaria, com o passar do tempo, abandonar uma delas.
Sinto-me desamparada, perdida e sem saber que rumo hei-de dar à minha vida. Já senti isto algumas vezes no passado, mas nunca durante tanto tempo, e penso que o que torna tudo isto mais difícil, é ter toda a gente a dizer-me para fazer algo que eu não quero, mas que é melhor para mim. Melhor a longo-prazo porque, por enquanto, fico na mesma: angustiada e com dúvidas...